"Espalha a malha." — Rede comunitária livre e gratuita
A RedeLivre é uma rede sem fios descentralizada que liga pessoas sem acesso próprio à internet. Quem tem internet, partilha-a — quem não tem, recebe-a através de roteadores na vizinhança. Cada nó fortalece a rede para todos.
Tecnicamente, a rede assenta em três pilares: uma mesh descentralizada de roteadores, um gateway central que concentra o acesso à internet, e um WiFi aberto para os clientes — sem palavras-passe, sem registo.
Mesh vem da palavra inglesa para rede ou malha — como numa rede de pesca, em que cada nó está ligado a muitos outros. Em termos de rede: cada dispositivo pode comunicar diretamente com qualquer outro, sem precisar de um intermediário central.
A grande vantagem: se um roteador falha, os outros encontram automaticamente outro caminho. A rede repara-se a si mesma — sem ponto único de falha.
A RedeLivre é composta por três níveis: Roteadores (nós mesh), Gateway (centro) e Internet. Cada nível tem uma tarefa claramente separada.
Cada roteador é um nó da mesh. Funcionam com um firmware especial (baseado em OpenWrt), desenvolvido para redes comunitárias. Uma vez instalado, configuram-se completamente sozinhos.
Cada roteador pode comunicar diretamente com qualquer outro. Se um nó falha, a mesh encontra automaticamente outro caminho.
Todas as ligações entre roteadores e gateway são encriptadas. Ninguém na rede consegue ler o tráfego.
Os clientes ligam-se sem palavras-passe. O endereço IP e o DNS chegam automaticamente do gateway.
Roteadores antigos ganham uma nova vida. O firmware transforma hardware compatível num nó da rede.
O gateway é o servidor central que liga a rede mesh à internet. Corre num servidor Linux normal — não precisa de hardware especial.
No núcleo, três serviços funcionam em conjunto:
Sem dados pessoais. O gateway não regista atividade de navegação. É usado exclusivamente para o reencaminhamento de pacotes de dados.
Assim flui um pacote de dados do cliente até à internet:
O cliente não percebe de nada disto. Envia pacotes para o WiFi, e o gateway mesh trata do resto — reencaminhamento, tradução de endereços, DNS.
O gateway é modular. Cada componente tem uma tarefa bem definida:
| Componente | Função |
|---|---|
| Terminação de Túneis | Recebe as ligações encriptadas de todos os roteadores, desencripta e passa o tráfego para a rede interna. |
| Protocolo Mesh | Garante que todos os roteadores e o gateway funcionam como uma única rede lógica grande em Layer 2. |
| Bridge | Liga a interface mesh, DHCP, DNS e o uplink de internet numa só unidade. |
| DHCP | Atribui automaticamente endereços IP a cada cliente que se conecta. |
| DNS | Resolve nomes de domínio. Domínios internos são respondidos localmente, os externos são reencaminhados. |
| NAT / Encaminhamento | Traduz os IPs internos para a internet e vice-versa — cada cliente fica oculto atrás do gateway. |
Uma das funcionalidades mais fortes: a RedeLivre tem apenas uma única rede WiFi (SSID: RedeLivre). Em qualquer lugar da cidade — o mesmo nome, a mesma ligação.
Quando te moves, o telemóvel muda automaticamente de roteador — sem login, sem interrupção. Exatamente como na rede móvel.
O home banking fica estável, as chamadas por WhatsApp ou Signal não são interrompidas, os vídeos continuam a funcionar — mesmo quando se viaja de carro pela cidade.
Tecnicamente: O protocolo mesh garante que o cliente encontra sempre o roteador mais próximo. O gateway não percebe nada disto — para ele, parece que o cliente está sempre no mesmo lugar.